21 de setembro de 2008

Adote uma abordagem cautelosa na solução de problemas

Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, resolva um problema assim que ele aparecer. Por que deixar estourar se você pode cuidar disso? Um Gerente de Produtos precisa ser visto como alguém que “faz” as coisas, e não apenas “pensa” nelas. Quando um problema aparece, você deve consertá-lo assim que possível. É claro, você pode gastar boa parte de seu tempo nisso, o que pode distrair seu caminho das outras atividades. Mas este é o melhor uso que você pode fazer do seu tempo, certo?

Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, não resolva imediatamente cada problema que lhe for apresentado. Geralmente é tentador resolver uma questão assim que ela aparece, embora haja várias boas razões para não se apressar:

1. Se você consertar o problema imediatamente, pode não estar abordando a raiz do problema. Na maior parte dos casos, há uma causa raiz que provavelmente não é visível numa primeira olhada. Isto se aplica a várias áreas na gestão de produtos, mais notavelmente ao endereçar pedidos de clientes. Isto já foi abordado em diversos posts anteriores, como Stop Gathering Requirements, Follow up on requests to learn more, Find solutions that address multiple problems. No entanto, o conceito também se aplica para outras áreas. Muitas vezes os “pontos de dor” que já estão aparentes podem levar às causas raízes. Desafios ao longo do processo de desenvolvimento do produto podem ser atribuídos a diversos fatores. Por exemplo, lançar um produto com muitos defeitos pode inicialmente parecer um problema facilmente resolvido colocando-se recursos dedicados à garantia de qualidade, embora o problema real possa ser a falta de detalhes nas especificações do produto. Como outros exemplos, desentendimentos sobre a priorização no trabalho de desenvolvimento podem levar muitos a um sistema de votação, embora estas discrepâncias sejam geradas por interpretações inconsistentes da visão, estratégia e do roadmap.

Em medicina, há um ditado que diz que médicos devem buscar tratar a doença, não os sintomas, e Gerentes de Produto devem também seguir este conselho.

2. Deixar o problema existir por um período de tempo pode ser a única forma de deixar os outros perceberem sua severidade. Pais geralmente têm contos sobre como seus filhos aprenderam o que não fazer – não tocar no fogão, por exemplo – deixando as crianças tentarem uma vez e perceberem que não seria uma boa idéia. Uma abordagem similar pode ser adotada no desenvolvimento de produtos. Sempre que você tentar convencer as pessoas a mudar ou a implementar novas idéias, mostre-lhes porque as mudanças que você está propondo são necessárias. Sem entender a necessidade de mudança, as pessoas defenderão o status quo. Por exemplo, você pode querer implementar uma ferramenta de gerenciamento de requisitos, devido aos problemas que você enxerga na forma com que os requisitos são gerenciados. Mais do que despender toda sua energia dizendo para as pessoas porque isso é necessário, fazer demonstrações de vários produtos, etc. você pode deixar o processo atual de gerenciamento de requisitos mostrar suas fraquezas. Talvez você tenha uma nova versão de seu produto próxima do lançamento, ainda que você saiba que há requisitos que se perderam ao longo do caminho. Em vez de insistir que a release seja adiada, você pode fazer uma previsão dos problemas e deixar o produto ser lançado. Se você estiver certo, certamente ficará aparente para todos que requisitos não foram implementados devido ao sistema falho de gestão de requisitos.

Esta tática precisa ser usada com cuidado. Como Gerente de Produtos, você ainda é responsável pelo produto no fim das contas, mesmo que esteja tentando ensinar uma lição à equipe, ou que diga “eu tinha dito isso para vocês”. Entretanto, em muitos casos, é possível usar projetos menores, ou aspectos específicos de seu produto como exemplos que provem seu ponto e justifiquem a mudança.

3. Os problemas podem não ser tão graves como você tinha pensado. Freqüentemente, quando um problema se apresenta – um defeito no produto, uma reclamação de um cliente, uma discussão numa reunião – há pressa para resolvê-lo imediatamente. Um Gerente de Produtos geralmente irá perder o foco nas coisas importantes – estratégia, roadmap, visitas aos clientes – e despenderá energia “apagando incêndios”.

No entanto, os problemas raramente são tão importantes que devam ser resolvidos imediatamente, e raramente são mais importantes que atividades estratégias maiores, em que o Gerente de Produtos deveria estar gastando suas energias. No calor do momento, todo problema parece ser maior, embora, com o tempo, sua importância normalmente diminui. Os problemas realmente severos se tornarão aparentes rapidamente, e isso permitirá que você foque mais atenção nos problemas maiores do que nas crises do dia a dia.

4. Mais tempo lhe dá oportunidade para encontrar a solução correta. Na pressa de encontrar respostas antes mesmo de entender a extensão total do problema, geralmente optamos pela primeira idéia que vem em mente. Embora esta possa ser uma solução aceitável, com mais tempo para entender a questão, analisar os problemas com mais profundidade e fazer brainstorm de possíveis soluções, mais provável que uma solução melhor seja determinada. Embora ter mais tempo não garanta mais ou melhores soluções, pelo menos é certo que você não terá menos idéias ou soluções piores se tiver mais tempo para considerar todas as opções.

Da próxima vez que um problema surgir, resista à urgência de tomar uma ação imediata. Adote uma abordagem estratégia – não tática – na resolução do problema, avaliando a questão e considerando as causas raízes em conjunto com a severidade geral. Ao não responder imediatamente para cada questão, você gastará menos tempo apagando incêndios e mais tempo nos aspectos de maior valor da gestão de produtos.


Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)


19 de setembro de 2008

A Visão da Área de Engenharia sobre o Gerente de Produtos

Recentemente um famoso blog sobre Gerentes de Produtos, o Cranky Product Manager, postou um artigo descrevendo os tipos de Engenheiros de Software.

Imediatamente, alguns blogs de Engenharia de Software responderam, comentando o artigo. Um dos mais "simpáticos" foi o Code of Contact, com seu artigo sobre os tipos de Gerentes de Produto, divididos em quatro grupos, de acordo com seu conhecimento técnico e seu conhecimento sobre os objetivos do produto.

Vale a pena ler os dois artigos, pois refletem estereótipos bastante próximos da realidade dos dois profissionais, que, obviamente, devem sempre trabalhar em parceria.

12 de setembro de 2008

Modern Product Manager

http://www.youtube.com/watch?v=_Bs3o1DMdeI

O Gerente de Produtos

7 de setembro de 2008

O que é um Beta?

Há anos as pessoas têm discutido sobre qual é propósito de um real “beta”. Eu costumava entrar nesta discussão também, mas hoje o termo é tão ambíguo, que todos temos que aceitar que o termo pode ser usado para muitos propósitos diferentes, e o importante para você é saber o que está tentando alcançar.

Alguns times usam “beta” essencialmente como uma fase de QA. Basicamente você está deixando seus clientes ajudare, a testar o produto. Ou porque você não tem uma equipe de QA na sua organização, ou porque, para seu produto, há muitos ambientes de execução diferentes para você replicar e testar, então você lança o produto como “beta” e trata os bugs à medida que eles surgem. Isto parece pior do que é. Na verdade, há muitos bugs que você encontrará apenas depois do lançamento, especialmente os relacionados à escalabilidade e ao desempenho. Desde que a versão atinja um nível de qualidade razoável antes do lançamento, isso não é problema.

Algumas equipes usam “beta” como um mecanismo de deploy suave. Veja http://www.svpg.com/blog/files/gentle_deployment.html para os detalhes, mas a idéia é que você coloque no ar a nova versão como “beta” enquanto mantém a versão atual no ar, e, com o tempo migre os clientes do sistema antigo para o novo, e, quando uma quantidade de suficiente de clientes já tiver migrado, você pode tirar o subtítulo “beta” e ir tirando a versão anterior do ar. Pense no deploy suave massivo do Yahoo Mail para usa nova interface baseada em Ajax, no ano passado.

Outros ainda usam “beta” como forma de obter feedback dos usuários para uma idéia de produto. Para a maioria dos tipos de produto, há maneiras muito mais baratas de obter este feedback do que desenvolver e lançar um serviço beta forma, mas, para alguns tipos de produto, realmente esta é a única forma de ver se a idéia é realmente boa. Principalmente produtos que introduzam algo suficientemente novo, que ainda não tenham um mercado estabelecido ou provado, e você não sabe de fato se há pessoas suficientemente interessadas para validar a idéia deste produto.

Todos estes usos de “beta” são úteis e apropriados nas situações corretas. O principal é que todos os casos acima sejam gerenciados ativamente pela equipe do produto, e que as estatísticas do site, bem como o feedback dos usuários sejam utilizados para tornar o produto melhor o mais rápido possível.

Há, entretanto, outro uso para o termo “beta” que não é tão virtuoso, mas ainda assim é bastante comum. Algumas equipes usam o termo “beta” para representar software que foi abandonado por sua equipe de desenvolvimento. O software é chamado de “beta”, pois ninguém quer se responsabilizar por ele. Essencialmente, significa “aceite como está, ou não use”. Isto pode ser porque a idéia não vingou, ou porque não há pessoas disponíveis para trabalhar nela, por não ter prioridade alta o suficiente, ou porque as prioridades do negócio mudaram, ou porque a empresa simplesmente desistiu e perdeu interesse no projeto. A Internet está tão cheia destes “betas” que me lembra de todo o lixo orbitando o espaço. Pelo mesmo motivo. Pode ser mais fácil lançar um novo serviço web do que tirá-lo do ar e informar aos usuários que eles têm que deixar de usá-lo.

Não gosto desta última idéia de uso do “beta”, pois pode ferir os três bons usos apresentados acima, já que pode deixar os usuários hesitantes em se envolver em algo chamado de “beta”.

Se você tem um produto nesta última forma de beta, você deve ser honesto com seus usuários e deixá-los saber que você não pretende mais seguir em frente. Alguns times deixam claro que o produto está descontinuado, deixando os usuários cientes de que apenas mantém o serviço no ar. Em todo caso, envolver-se com seus usuários é bom, e usar seu feedback para melhorar o produto é ainda melhor.