Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, planeje com muita antecedência para o futuro. Seu produto certamente será um sucesso, logo você precisa ter cada possível detalhe definido agora para garantir que continuará sendo um sucesso nos anos vindouros. É tão importante planejar-se para um problema que provavelmente ocorrerá amanhã quanto planejar-se para um problema que possivelmente acontecerá daqui a alguns anos. Se as coisas forem realmente bem – ou realmente mal – você quer estar preparado “just in case,” não importa quão improvável isso seja.
Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, planeja para agora e para o futuro provável. Entender as implicações de suas decisões no longo prazo é importante, embora as possibilidades num futuro distante não devam se sobrepor às decisões de curto prazo.
Muito freqüentemente, boas idéias são rejeitadas porque não serão verdadeiras ‘se’ algumas coisas acontecerem. Por exemplo, um bom design para uma base de dados que possui 10.000 registros pode ser inadequado por não escalar para 1 milhão de registros – embora apenas um em um milhão de clientes potenciais jamais terá esta quantidade de registros. Ou, alguns insistirão em investir esforço substancial em automatizar um processo manual simples que leva 2 minutos para ser executado e é feito apenas em determinada ocasião, usando o argumento de que se o processo alguma vez ocorrer com maior freqüência (o que seria em alguns anos, na melhor hipótese), a versão automatizada será mais eficiente.
Planejar para um futuro longínquo geralmente ocorre porque as pessoas estão em busca da solução perfeita. (Surpresa! Não existe uma...). Uma solução “suficientemente boa” pode atender muito bem por vários meses ou anos; infelizmente, aqueles procurando pela resposta “perfeita” irão rejeitar o que é “suficientemente bom” e insistir numa solução geralmente mais complicada, mais complexa e mais cara.
Outro perigo de planejar com tamanha antecedência é que quanto mais no futuro você observar, mais provável que suas suposições estarão erradas. Qualquer coisa além do que é conhecido neste exato momento, é especulação. É claro, algumas áreas são mais previsíveis do que outras, embora em muitos aspectos da gestão de produtos as previsões são pouco mais do que educados ‘chutes’ com uma boa dose de otimismo.
Falando em otimismo, a razão para o planejamento de longo prazo é que geralmente os times de desenvolvimento assumem um estrondoso sucesso e querem se planejar para isso. É claro, seria ótimo se você tivesse um milhão de usuários para seu sistema de rede social na primeira semana e você estivesse planejado de acordo. Certamente você espera que sua campanha de marketing brilhante gere demanda para seu estoque de doze meses em apenas três. Mas, e se as coisas não derem certo?
Infelizmente, a maior parte do pensamento no futuro é influenciada por um extremo otimismo (ou, em alguns casos, pessimismo). Gerentes de Produto precisam ser razoáveis e racionais em suas suposições e expectativas. É necessário balancear esperança e pensamento positivo com a realidade, e, muito freqüentemente, Gerentes de Produto e times de desenvolvimento de produtos terminam numa extremidade do espectro ou na outra.
Como a 37signals descreve em Otimize para agora!:
Uma das maneiras mais fáceis de destruir boas idéias, políticas interessantes ou experimentos valiosos é usar a premissa de que qualquer coisa que você esteja fazendo precise durar para sempre... A melhor maneira de chegar ao ponto de precisar de mais, é otimizar para o agora. Utilize as forças de seu momento atual em vez de ficar tão ansioso por adotar as soluções para o amanha.
Mais que planejar para o future distante, os Gerentes de Produto precisam planejar para o que é conhecido e para o que é razoável de se esperar do futuro. Quando idéias são rejeitadas porque não ‘escalam’ para níveis razoáveis ou porque irão durar ‘apenas’ por certo período de tempo, o Gerente de Produtos deve lembrar ao time de desenvolvimento de produtos para manter os problemas em perspectiva.
Esclareça os requisitos e objetivos, entenda os trade-offs, priorize adequadamente e faça decisões sábias com base no que é lógico hoje e no que for mais provável no futuro.
Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)