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Tecnologias não são melhores se não agregarem valor

Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, propagandeie a superioridade técnica de seu produto. Os clientes querem produtos inovadores e como você está usando as ultimas inovações tecnológicas em seu produto, está fadado a ser bem sucedido. Isto mostra que você está progressivamente acima da curva, então não há risco de seus clientes serem deixados para trás com uma tecnologia obsoleta. As pessoas podem não perceber como a tecnologia torna sua solução melhor que a de seus concorrentes, mas isso é porque o pessoal de marketing não entende, e não consegue explicar ao mercado.

Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, perceba que a superioridade tecnológica é relevante apenas se agregar valor aos seus clientes. Se sua solução “é melhor” que o status quo, ou que a concorrência, é um julgamento feito pelo mercado, não por seus engenheiros. Inovação tecnológica vale a pena quando pode ser traduzida em benefícios para o cliente.

Novas tecnologias sempre têm benefícios, e quase sempre também têm efeitos colaterais. Tecnologistas normalmente focam apenas nos benefícios da tecnologia, e não consideram ou não entendem a importância das conseqüências. Por exemplo:

• Uma empresa pode ter uma nova tecnologia que preserve a qualidade do som melhor que os MP3 e gere arquivos menores que os ACCs – características que ela acredita que farão deste formato de arquivo o melhor a se usar. No entanto, caso não seja compatível com o iTunes, muitos clientes não o considerarão “o melhor”.
• Um fabricante de equipamentos de rede sem fio pode encontrar uma forma de melhorar o sinal através de longas distâncias, tornando seus produtos desejáveis para pessoas que tenham redes domésticas em casas grandes. Entretanto, se a tecnologia causar interferência com outros dispositivos sem fio (ex: telefones), muitos consumidores não verão isto como um avanço tecnológico.
• Uma nova tecnologia de baterias pode oferecer uma vida útil maior para baterias de notebooks, em contrapartida, aumentando seu peso. Esta tecnologia é melhor ou não? Diferentes tipos de clientes responderão diferentemente. Aqueles que valorizam mais a duração da bateria irão obviamente apreciar a melhoria. Para outros, a resposta dependerá da extensão das mudanças. Certo tipo de usuário pode aceitar uma bateria 500 gramas mais pesada caso isto signifique uma hora adicional de bateria, embora não toleraria uma bateria que pese 1 kg a mais por apenas 20 minutos a mais de duração de bateria.

Nos três exemplos acima, o conceito de tecnologia “melhor” está nos olhos do consumidor. Engenheiros geralmente irão apreciar os avanços em tecnologia que não necessariamente são transformados ou traduzidos em beneficio para o cliente. Embora em última instância haja algum valor para o cliente, pode ser necessária uma análise muito complexa para se concluir isto!

De fato, avaliar o valor dos avanços tecnológicos requer compreensão das necessidades do cliente, de suas preferências e de seus problemas.

• No exemplo da música digital, o Gerente de Produtos deveria saber que boa parte da base atual e potencial de clientes utiliza o iTunes para gerenciar suas músicas, e se os clientes prefeririam o valor desta nova tecnologia (som melhor, arquivos menores) aos benefícios do iTunes.
• No exemplo da rede sem fio, o Gerente de Produtos deveria ter gasto um tempo com clientes, em suas casas, entendendo como suas redes são configuradas e que outros dispositivos os clientes usam. Isto ajudaria o Gerente de Produtos a definir os requisitos para a implementação da nova tecnologia, tal como potência de 90% em 50 metros, e nenhuma interferência com dispositivos de 900mhz.
• No exemplo da bateria, o Gerente de Produtos deveria entender os diferentes tipos de clientes, que atributos eles valorizam, e a importância de cada atributo em relação ao outro. Saber quais tipos de clientes valorizariam a bateria em relação ao peso, e quais trade-offs estão dispostos a assumir, a nova tecnologia poderia ser posicionada e promovida adequadamente para os segmentos de clientes adequados.

Sempre que alguém propõe uma melhora tecnológica como “melhor”, Gerentes de Produto devem se aprofundar mais para entender o que a torna melhor. Por que é superior? Como os clientes se beneficiarão? Quais os critérios que os clientes valorizam, e como isto impactará estes critérios? A tecnologia irá melhorar um critério às custas de outro? Este trade-off agrega ou retira valor do produto? Ao passar por este exercício, mais do que simplesmente aceitar a afirmação de que “é melhor”, um Gerente de Produtos pode garantir que as mudanças tecnológicas estarão agregando valor ao produto e melhorando-o na mente do cliente.

Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)


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Seus Clientes AMAM seu Produto?

Amor.

É uma ponderosa palavra apaixonante que evoca sentimentos fortes e idéias. Há algum produto que você possa dizer que você ama? Para mim, eu amo meu iPod, o Google Reader e os serviços de recomendação de livros da Amazon. Estes produtos fazem o que eu quero que façam, e continuam a me surpreender com mais, que eu aprecio e uso.

Em contraste, há muitos produtos que eu simplesmente tenho que tolerar, porque as alternativas são ainda menos atraentes, ou porque é muito difícil para mim mudar do meu provedor atual. Estou pensando em bancos, telefones celulares, companhias de seguro, etc.

Então, caso você seja um Gerente de Produtos, acho que é um exercício realmente poderoso e desafiador tentar identificar o que seria necessário para gerar o AMOR de seus clientes. Crie situações em que eles falarão o quão bom é seu produto para amigos e familiares.

O que seria necessário para isto? Por que eles já não amam seu produto agora? O que eles gostariam que seu produto fizesse diferentemente do que faz agora?

Amor por um produto vai além de boa usabilidade e de uma longa lista de funcionalidades. Requer uma conexão mais profunda com as necessidades do cliente.

Como você ajudará seus clientes a amar seu produto?

Protótipos de Alta Fidelidade

Em vários artigos já falei sobre os vários aspectos dos protótipos. Falei sobre utilizá-los como base para a especificação de seu produto, e sobre como utilizá-los para testar suas idéias com o público-alvo, e também o porquê de eu preferir protótipos de alta fidelidade a seus primos de baixa fidelidade. Neste artigo, quero enfatizar os 10 principais benefícios da prototipação, e falar um pouco sobre a mecânica da construção e do uso de protótipos.

Benefícios:

1) Antes de tudo, um protótipo de alta fidelidade lhe dá algo suficientemente realista para testar suas idéias com seu público-alvo antes de ter que fazer um investimento significativo. Isto permite que você descubra quais idéias são boas e quais não são, e se o produto tem um valor real. Também permite descobrir se os usuários serão capazes de descobrir como usar o produto.

2) Fazer um protótipo de alta fidelidade lhe ajuda – ou até mesmo, lhe força – a pensar nos detalhes de seu produto bem mais a fundo do que com especificações no papel.

3) Um protótipo de alta fidelidade permite e encoraja a colaboração entre o Gerente de Produtos, o designer de interação e o arquiteto/engenheiro. Esta colaboração é necessária para a descoberta de um produto que agrega valor, é útil e factível.

4) Um protótipo de alta fidelidade provê o nível de informação necessário para uma estimativa precisa dos custos de engenharia, no início do processo, quando estas estimativas são mais úteis.

5) Um protótipo de alta fidelidade provê aos engenheiros e à equipe de QA uma descrição rica e interativa das funcionalidades pretendidas para o produto, e o design a ser usado como referência para a implementação e os testes.

6) Um protótipo de alta fidelidade provê ao resto da organização – marketing, vendas, atendimento ao cliente, desenvolvimento de negócios, executivos da empresa – compreensão do produto cedo no processo, a tempo para que tenham tempo de fazer seu trabalho adequadamente.

7) Um protótipo de alta fidelidade evita o problema clássico do waterfall de se fazer o design depois dos requisitos, ao invés de perceber que funcionalidade e experiência do usuário estão inerentemente acopladas.

8) Se você fizer um protótipo de alta fidelidade e testar suas idéias com usuários e encontrar problemas significativos, terá economizado à empresa o custo, em termos de tempo e dinheiro, de construir algo que iria fracassar. Sem mencionar o custo de oportunidade daquilo que a equipe poderia estar fazendo.

9) Se você fizer um protótipo de alta fidelidade e validar isto com seus usuários alvo, você reduzirá significativamente o tempo que leva para seus desenvolvedores construírem o produto, tanto porque o produto será mais bem definido, quanto por que você já terá sido forçado a resolver várias das questões antecipadamente antes de enviá-las para o desenvolvimento.

10) Um protótipo de alta fidelidade ajuda a manter o foco do time na experiência do usuário.

Notas:

- As ferramentas de prototipação melhoraram dramaticamente nos últimos anos. Que você esteja construindo uma aplicação web, ou um software cliente instalado, há diversas ferramentas excelentes. No mundo web, há pelo menos dois produtos especializados nisso: Axure (www.axure.com) e iRise (www.irise.com). O importante é que você use algo que permita que crie rapidamente uma experiência do usuário realista.

- Pelo fato de que o protótipo está apenas representando a experiência do usuário, e não o software que roda no backend, e que é muito mais difícil de ser escrito, e também porque o protótipo não precisa ser um software de alta qualidade (confiável, escalável, tolerante a falhas), você pode utilizar recursos bem menos capacitados para criar o protótipo. O principal é que o prototipador deve estar confortável em jogar fora o trabalho das últimas horas para tentar uma nova abordagem.

- Uma vez que o time siga da descoberta do produto para a implementação, o protótipo deve passar por controle de versão e colocado num sistema de controle de mudanças. Quaisquer mudanças visíveis para o usuário na definição do produto devem ser aprovadas pelo Gerente de Produtos e pela engenharia, e ser refletida no protótipo. O protótipo serve como referência principal. É o principal artefato que o Gerente de Produto, os designers, engenheiros e QA usam para refletir as decisões tomadas.

- Está perfeitamente bem que o protótipo use dados simulados. Os dados devem ser reais e plausíveis, mas não precisam ser corretos. Geralmente, o protótipo não acessa nenhum banco de dados ou serviço remoto.
Para equipes de produto que utilizem metodologias ágeis como o Scrum:

Alguns praticantes de metodologias ágeis defendem que o time deve simplesmente considerar os primeiros sprints como o protótipo funcional. E, de fato, para desenvolvimento de software customizado, em que não há gerência de produtos e raramente design de experiência do usuário, isto é basicamente o melhor que você pode fazer. Entretanto, para organizações voltadas para o desenvolvimento de software como produto, você pode e deve fazer melhor do que isso, por três motivos:

Primeiro, um sprint é tipicamente muito longo para se esperar para testar uma idéia – uma idéia que, muito provavelmente, dará errado. É mais rápido testar a idéia com um protótipo descartável em alguns dias do que esperar por meses por um ou mais ciclos de sprint.

Em segundo lugar, há tipicamente muitas coisas críticas para o time de engenharia fazer para utilizá-lo no processo de descoberta de produto. Ao tomar seu tempo para fazer este protótipo funcionar, eles não farão aquilo que deveriam estar fazendo – desenvolver softwares aptos a ir para produção.

Em terceiro lugar, embora metodologias ágeis estimulem o time a aprender e a responder rápido, ainda é difícil e leva tempo para que um time mude o foco significativamente uma vez que eles tenham começado por um caminho, uma arquitetura ou uma abordagem.

Se você ainda não tentou criar um protótipo de alta fidelidade como ferramenta para descobrir um produto que tenha valor, seja usável e factível, espero que você tente. Nunca foi tão fácil de fazê-lo, e acredito que seja uma das técnicas mais poderosas para se chegar a produtos vencedores.

Escolha suas alianças estratégicas com cuidado

Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, estabeleça parcerias sem considerar todas as suas opções. Talvez seus clientes estejam clamando por determinada funcionalidade, e um parceiro vem a você dizendo que pode resolver esta necessidade rapidamente. É claro, pode haver outros fornecedores que também possam resolver, mas neste caso você teria que despender algum tempo encontrando e avaliando estes outros fornecedores. Isto levaria muito tempo e você estará mais bem servido por aquele que bateu primeiro à sua porta. Ou, e se houver uma empresa com uma tecnologia nova que realmente impressione – você provavelmente quer isso em seu produto, certo? É verdade, você não sabe exatamente quantos clientes realmente precisam disso, mas seria ótimo utilizar numa demonstração, e além do mais, você teme que caso não mostre isso, seus clientes simplesmente irão para um de seus concorrentes.

Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, analise adequadamente e escolha as alianças estratégicas e parceiros corretamente. Gerentes de Produto investem tanto pensamento em tantas áreas importantes de seus produtos, mas freqüentemente a decisão sobre se um produto, ou algum aspecto dele, deva ser desenvolvido, comprado ou feito com um parceiro recebe pouca atenção. Isto é problemático, já que é uma das partes mais cruciais da experiência do cliente.

Quando um cliente compra ou usa seu produto, sua satisfação não está ligada somente ao produto. Toda a experiência influencia o que eles pensam de seus produto, incluindo coisas como onde compraram, como está embrulhado, a qualidade dos componentes, e outros produtos com os quais o seu interage. Entretanto, Gerentes de Produto – e muitos outros numa organização – definem seu produto especificamente, e não levam em conta estes outros aspectos. O que poderia ser um produto fantástico pode ser arruinado ao se tomar a decisão errada sobre desenvolver / comprar / estabelecer parcerias.

Embora certamente existam empresas que seriam “maus” parceiros para qualquer produto, na maior parte dos casos um “mau” parceiro é simplesmente um que não tenha alinhamento de prioridades com a sua organização. Um produto focado em qualidade que faça uma parceria com um parceiro que foque no baixo-custo (e qualidade); uma empresa conhecida por seu serviço de atendimento ao cliente com uma que tenha baixa reputação no atendimento; etc.

Decisões de parcerias mal tomadas podem ter sido feitas por uma série de razões, desde a falta de conhecimento sobre o potencial parceiro até o relacionamento prévio entre um executivo da empresa e o parceiro desejado. Independente disso, não se isente de uma análise apropriada da situação.
Para ter certeza de que você está se alinhando com a empresa certa, assegure-se de entender o porquê de escolher adotar uma parceria em primeiro lugar. (Esta apresentação
Build, Buy, or Partner da NorCal PDMA dá uma boa visão geral sobre este processo de decisão). Você deve primeiro ter certeza de por que escolher um parceiro, e não com quem você irá fazer a parceria. Embora algo especial possa inicialmente despontar seu interesse por uma parceria, você precisa avaliar o potencial desta parceria primeiro, antes de considerar esta oportunidade especifica.

Uma vez que você tenha entendido o porquê de escolher estabelecer uma parceria, você precisa avaliar o que espera de um parceiro. Há diversas questões que você precise perguntar antes de se comprometer com um acordo, incluindo:

  • Quais suas expectativas com relação ao parceiro?
  • Você quer uma aliança estratégica de longo prazo, ou uma integração rápida?
  • Os valores da empresa estão alinhados com os seus?
  • Como as habilidades da empresa se encaixam com as competências que o tornam diferencial?
  • Algum dos lados se beneficia da parceria mais que o outro?

Estas questões, e outras, podem ajudar-lhe a avaliar objetivamente uma decisão de parceria. Obviamente, há etapas adicionais após a avaliação – discutir os aspectos monetários, concordar nos termos e condições, e a negociação de outros detalhes da aliança. Entretanto, um Gerente de Produtos não deve entrar nestes detalhes sem antes entender as questões de alto nível. Uma vez que as linhas gerais estão claras, negociar a sintonia fina do acordo será muito mais direto. Embora freqüentemente haja o desejo de se apressar na decisão – afinal, uma das principais razões de se escolher um parceiro é melhorar a velocidade de atingir o mercado – uma abordagem mais elaborada irá garantir que qualquer aliança estratégica seja mais adequada para seu produto e seu mercado.

Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)


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