Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, tenha uma estratégia de baixo custo. Clientes são sensíveis a custo, e se você puder entregar um produto por menos que os concorrentes, você será bem sucedido em gerar mais vendas. Mesmo se seu produto não é tão bom quanto o da concorrência, se for mais barato, mais gente irá comprá-lo.
Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, não siga uma estratégia de baixo custo a não ser que você realmente esteja oferecendo uma commodity, que não pode ser diferenciada em anda da concorrência. Ao invés disso, você deve desenvolver uma estratégia baseada na diferenciação de seu produto da concorrência, e considerar um baixo custo para o cliente como parte desta estratégia.
As estratégias genéricas de Michaer Porter são base para a discussão entre estratégia de diferenciação e de baixo custo, e sugerem que o desenvolvimento de uma competência de baixo custo pode ser parte de uma liderança em custo, ou de uma estratégia de segmentação. Infelizmente, isto têm sido mal entendido e mal interpretado, levando muitos a acreditar que baixos custos constituem uma estratégia por si só, quando na maior parte dos casos, isto não é verdade.
No modelo de Porter, preço baixo refere-se ao custo da perspectiva da firma, para produzir o produto. Muitas, no entanto, acreditam que se refere ao custo para o cliente, e, portanto desenvolvem sua estratégia com o objetivo de prover o produto de menor custo para o cliente. Faz mais sentido utilizar “preço” para se referir ao preço que o cliente paga pelo produto, e “custo” para se referir ao custo para uma empresa produzi-lo.
O preço certamente importa para os clientes, mas não é sempre o fator mais importante numa decisão, e raramente é o único fator. Há quase sempre outros atributos e benefícios que um produto pode oferecer que podem fazê-lo mais valioso para o cliente, e, assim, podem ser vendidos por um preço mais alto.
Isto pode se aplicar até mesmo para commodities – pregos vendidos numa loja de ferramentas, por exemplo. Suponhamos que haja três empresas fabricando pregos: Empresa A produz pregos básicos, a um custo razoável; a Empresa B produz pregos básicos, por um custo um pouco menor que o da Empresa A; e a Empresa C produz pregos premium, que suportam peso maior, são mais leves, mais duráveis e com menor probabilidade de entortar.
A Empresa C optou por diferenciar oferecendo um prego premium, provavelmente por um preço premium. As Empresas A e B produzem exatamente o mesmo produto, mas custo de produção para a Empresa B é menor. A estratégia da Empresa A pode ser de baixo custo, mas ela não a está executando tão bem quanto a Empresa B. Qual estratégia é a melhor? Dependendo das necessidades dos clientes e em quão importante é o preço em relação ao melhor desempenho do prego, ou a Empresa B ou a Empresa C prevalecerão. A Empresa A pode ter uma boa estratégia, mas não a está executando tão bem quando a Empresa B.
A estratégia de baixo custo tem a ver com a produção de algo que, para o cliente, parece ser exatamente o mesmo produto do que o do concorrente, ou praticamente idêntico, com o mesmo valor agregado, apenas com a possibilidade de produzi-lo com um custo menor. Ao competir apenas em preço, a empresa com a menor estrutura de custos ganha, uma vez que pode cobrar menos que a concorrência, ou cobrar o mesmo, gerando mais margem com o mesmo volume.
Se você não estiver produzindo exatamente o mesmo produto que seu concorrente, sua estratégia é de diferenciar seu produto de alguma forma. Mesmo empresas que parecem estar seguindo uma estratégia de baixo custo, na verdade estão se diferenciando. O Wal-Mart e a Southwest Airlines, por exemplo, enfatizam seus baixos preços, mas há outros elementos de suas estratégias que os diferenciam da concorrência (Wal-Mart vs. Target, ou Southwest Airlines vs. United). Oferecer baixos preços aos consumidores é parte de sua estratégia, e suas estruturas de custo permitem que eles operem com menor custo, permitindo que produzam com menor custo e ainda mantenham margens razoáveis.
Gerentes de Produto sempre lidarão com produtos diferenciados – afinal, se você está produzindo um produto não-diferenciado, um Gerente de Produtos não é necessário, basta um Gerente de Produção que foque em reduzir custos. O desafio como Gerente de Produtos é diferenciar seu produto da concorrência, e agregar valor aos seus clientes. Isto requer entendimento da importância do preço e de vários outros atributos na cabeça de seu cliente e o posicionamento de seu produto de maneira adequada.
Compita em preço se for o atributo mais importante para o cliente, e não caso não haja outra forma de distinguir o seu produto; caso contrário, crie um produto único que agregue mais valor ao cliente do que a concorrência.
Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)